Comunicado-Associação Nacional de Toureiros.

A ANDT - Associação Nacional de Toureiros - vem por este meio e em representação da classe dos bandarilheiros portugueses, mostrar a sua repulsa e condenar os comentários insultuosos a eles dirigidos por parte de um órgão de comunicação social, relativamente à sua não participação nos eventos realizados no Montijo nos passados dias 2, 3 e 17 do corrente.

Nada move esta associação, nem os seus associados, contra a empresa organizadora nem muito menos contra os grupos de forcados.
Por esta razão e para não ser acusada de querer prejudicar os referidos espetáculos, só agora vem dar a conhecer o seu descontentamento e sobretudo as razões pelas quais os seus toureiros se recusaram a participar.

Desde cedo recebemos manifestações de preocupação e desagrado dos nossos associados, com os moldes em que os referidos espetáculos estavam a ser montados, pela falta de enquadramento regulamentar e pela repercussão negativa e prejudicial dos mesmos.

Nós sabemos e concordamos com o papel importante do forcado na Corrida de Touros à Portuguesa. Contudo são uma parte do espetáculo, assim como os toureiros que nela participam, não fazendo sentido para nós realizar espetáculos sem uma das partes.

Que fique claro que teríamos a mesma posição caso fosse sugerido um espetáculo só com cavaleiros e respetivas quadrilhas, sem incluir os forcados.

Aliado a estes factos, o Fundo de Assistência dos Toureiros, também alertou os seus associados que não estariam cobertos pela assistência ao acidente, precisamente porque os espetáculos não estavam enquadrados no regulamento.

A classe dos bandarilheiros Portugueses, ao contrário daquilo que se escreveu, mostrou uma solida união pelas preocupações comuns e dessa forma não aceitou fazer parte destes espetáculos nos dias 2, 3 e 17 no Montijo.

De salientar que os nossos bandarilheiros foram substituídos, não por bandarilheiros espanhóis, mas por matadores de toiros e novilheiros do pais vizinho, que e ao contrário também do que foi escrito, prestaram um péssimo serviço ao toureio a pé, toureando sem as suas quadrilhas toiros embolados e sem sequer cumprirem o tercio de bandarilhas.

Lamentamos também que os poucos toureiros portugueses que participaram, não tenham alinhado com o pensamento da maioria dos seus colegas.

Foi ainda prioridade desta associação transmitir ao órgão da tutela as preocupações dos cabeças de cartaz e bandarilheiros, bem como informar as congéneres espanholas por forma a acautelar que no futuro, eventos como estes não se possam realizar neste moldes por entendermos não trazerem nenhuma mais-valia a tauromaquia Nacional.

Esta Associação recebeu por parte da IGAC um parecer que informa:
“…que após análise aturada de todos os elementos associados ao evento em questão, concluiu-se que o mesmo não é, efetivamente, enquadrável no Regulamento do Espetáculo Tauromáquico (RET), pois não assume as características de qualquer um dos tipos de espetáculo tauromáquico ou de natureza análoga previstos e disciplinados pelo RET.

Nesta conformidade, a autorização da IGAC incide sobre os aspetos atinentes à utilização de recinto fixo para evento de natureza diversa, tal como sucede em relação ao mais variado tipo de espetáculos realizado sob as mesmas condições…”

Mais uma vez deixamos publicamente o maior desagrado pela forma como os toureiros e sobretudo a classe dos bandarilheiros foram tratados em todo este processo, por agentes exteriores que deveriam estar melhor informados e respeitar as posições de cada um, não estando habilitados para condenar ou julgar alguém pela não participação num evento com o qual não se identifica.

Por último gostaríamos de manifestar a nossa disponibilidade para no futuro colaborar em eventos que tenham como fim dignificar a figura do forcado, mas na sua plenitude.

Com os melhores cumprimentos;
A Direção
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