Toureiros aplaudem passodoble e fado nas touradas. - Carregar a Sorte

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domingo, 24 de janeiro de 2016

Toureiros aplaudem passodoble e fado nas touradas.

Colóquio com Mário Coelho e António Telles em Samora Correia

As bandas de música fazem parte da festa dos touros desde 1920 e são uma mais valia nas corridas em qualquer praça. Esta foi uma das conclusões do colóquio que reuniu em Samora Correia os prestigiados maestros Mário Coelho e António Palha Ribeiro Telles na tarde de sábado, 23 de janeiro.

No painel de oradores, o jovem cavaleiro Manuel Telles Bastos, que encantou com a sua simplicidade e boa disposição, o delegado da Inspeção Geral das Atividades Culturais Ricardo Pereira, o compositor de Passodoble e músico António Labreca e o fadista Rodrigo Pereira. A voz dos Marialvas cantou dois fados acompanhado da banda da Sociedade Filarmónica União Samorense (SFUS), num ambiente de grande afición e perante um salão nobre da SFUS com mais de 150 aficionados.


Mário Coelho, toureiro com 60 anos de carreira e um dos melhores bandarilheiros do mundo, enalteceu o trabalho das bandas de música nas corridas e manifestou enorme consideração pelos compositores que fazem passodobles com alma, citando o exemplo da composição produzida por Maurício do Vale em sua homenagem.

O matador de touros de Vila Franca de Xira recordou que foi o último toureiro a ouvir a banda tocar na Monumental de Las Ventas em Madrid após um magistral par de bandarilhas. Desde então não mais houve passodoble durante as lides em Las Ventas.

O fadista Rodrigo Pereira, antigo forcado e um aficionado de corpo inteiro, defende que na lide a pé não deve haver música ”Gosto de ouvir o artista a falar com o touro e ouvir as reações. Preciso de silêncio na praça”, disse. Mário Coelho não vê inconveniente em lidar ao som de um passodoble com alma, necessariamente diferente dos ritmos que podem acompanhar a lide a cavalo.

Manuel Telles Bastos e António Telles revelaram que a música durante a lide é um incentivo para o toureiro e para o cavalo. Os toureiros da Tourinha, habituaram-se a treinar os cavalos com música ambiente “e quando não havia música eram os vizinhos e amigos ciganos que cantavam para descontrair os cavalos e cavaleiros”, recorda com alegria o jovem neto de Mestre David Ribeiro Telles.

“Lembro-me no Picadeiro do Mestre Nuno de Oliveira, ele colocava música clássica para descontrair os cavalos e eles adoravam aquilo”, acrescenta o Maestro António Telles.

O cavaleiro de Vila Franca emocionou-se com o passodoble com o seu nome, da autoria de António Labreca, interpretado ao vivo pela banda da SFUS com grande mestria e um solo impressionante do trompetista Francisco Marques “Chuiquinho”.

Sobre eventuais exageros na utilização da música em lides que ainda não mereceram, Rodrigo Pereira defendeu que as bandas filarmónicas devem tocar sempre que o público peça. “O Público é que manda, é ele que paga o espetáculo”, referiu. Sobre o fado nas corridas de touros, Rodrigo Pereira considera que em alguns períodos da corrida, pode ser um complemento de valorização do espectáculo, mas nunca durante a lide. “Na volta à arena, no intervalo, já tenho cantado fado e penso que resulta bem”.

Para o diretor de corrida nem sempre é fácil decidir quando manda tocar a banda ou silencia os acordes. Ricardo Pereira, que dirige corridas nas principais praças, defende que conhecer os artistas, a banda e o público facilita a decisão. “Não há toureiros iguais, nem praças iguais, cada uma tem o seu tipo de público e vive a festa de uma maneira diferente”, considerou.

Todos os presentes concluíram que é importante reduzir ainda mais os tempos das corridas, eliminando rituais injustificados e apelando ao bom senso dos toureiros.” Vi um cavaleiro que colocava um ferro e dava quatro voltas à arena, não é bonito”, disse Mário Coelho que foi muito crítico em relação à organização das corridas em Portugal. “Sou um aficionado com 60 anos de carreira, mas evito assistir a algumas corridas. É mau demais. Não há respeito pelo público”, concluiu.

No final do colóquio, que nasceu numa ideia do aficionado samorense António Relvado, todos os intervenientes elogiaram a cultura tauromáquica que se vive em Samora Correia. Os artistas saíram pela Porta Grande com a promessa da SFUS continuar a promover conversas e outras iniciativas sobre a festa dos touros. A coletividade manifestou interesse em receber a exposição evocativa dos 60 anos de carreira do Maestro Mário Coelho que esteve recentemente em Vila Franca de Xira.