Ana Batista: O Campo Pequeno traz-me as melhores recordações

Pelas mãos de Mestre David Ribeiro Telles, absorveu Ana Batista os primeiros ensinamentos, as bases fundamentais do toureio a cavalo. A 18 de Junho de 1988, com apenas 10 anos de idade, actuou pela primeira vez em público, numa Festa da Sardinha Assada em Salvaterra de Magos.

A Alternativa aconteceu, no dia 8 de Julho do ano de 2000 na praça de toiros de Coruche, tendo como padrinho Joaquim Bastinhas e madrinha de honra D.ª Conchita Cintrón, testemunhando o acto António Ribeiro Telles, Rui Salvador, Luís Rouxinol e José Manuel Duarte. Nessa noite, Ana Batista estreou uma casaca azul-escuro bordada a ouro, e lidou um precioso toiro “burraco” de nome “Cigarreiro”, n.º 15, com 510 Kg, da ganadaria de Manuel Assunção Coimbra.

De então para cá, segue-se uma carreira pautada por um estilo muito pessoal, baseado nas regras clássicas do toureio a cavalo sendo, de há anos a esta parte, figura de referência para as várias mulheres que, entretanto, seguiram o caminho que ela vem desbravando.

Numa curta entrevista, Ana Batista fala-nos da sua temporada de 2018 e das expectativas quanto à corrida de amanhã, em que toureará no Campo Pequeno, ao lado de Sónia Matias, outro valor do toureio a cavalo no feminino.

1. Que balanço faz da temporada actual?

Ana Batista (AB)- O início da temporada serviu para “rodar” alguns cavalos mais novos e preparar-me para os compromissos de maior responsabilidade que, antecipadamente, sabia que iam surgir em Julho, Agosto e Setembro. Apesar de já ter 18 anos de Alternativa e de já ter toureado várias corridas na minha terra (Salvaterra de Magos), a corrida da passada Sexta-feira teve um significado especial, pois a casa estava esgotada, senti um enorme carinho por parte dos meus conterrâneos, e toureei ao lado de uma das grandes Figuras do Toureio, o Diego Ventura. Acho que correspondi às expectativas dos aficionados e o resultado nessa noite deu-me uma grande moral e deixou-me muito feliz. No dia seguinte toureei na Nazaré, e voltei a sentir-me muito a gosto. Acho que tenho na quadra três cavalos fundamentais e que me transmitem muita segurança, o Chinelito, o Conquistador e o Roncal, para além de outros… Assim sendo, os próximos compromissos vão ser todos muito importantes.

2. Como encara a sua vinda ao Campo Pequeno e, em especial, nesta fase da temporada?

AB- Sabe que do Campo Pequeno tenho as melhores recordações. Em 1994, quando aí toureei com 16 anos, venci o Prémio Incentivo, atribuído pela Associação Portuguesa de Tauromaquia; depois em 2006, a noite da minha confirmação de alternativa foi uma das mais bonitas da minha carreira; e em 2016, a actuação na Corrida de Gala à Antiga Portuguesa deixou-me a pessoa mais feliz do mundo, pelo retorno e pelo impacto que teve junto dos aficionados mais exigentes. Por isso, encaro a minha ida ao Campo Pequeno, na próxima quinta-feira, com uma acrescida responsabilidade, mas com um enorme desejo de conseguir superar-me a mim própria e de agradar aos aficionados.

3. Que espera dos toiros São Torcato?

AB - É uma ganadaria com muita qualidade e que tem por hábito transmitir. Não podemos esquecer que o toureio precisa de emoção. Espero que invistam, que nos proporcionem a todos uma noite inesquecível.

O Cartel completo desta corrida é formado pelas cavaleiras Sónia Matias e Ana Batista, pelo matador de toiros António João Ferreira e Nuno Casquinha e pelo Grupo de Forcados matadores das Caldas da Rainha, capitaneado por Francisco Mascarenhas. Serão lidos 7 toiros de São Torcato (três a cavalo e quatro a pé).

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