A ONU aconselha e o caos instala-se.

Fala-se, diz-se, discute-se… A ONU aconselha e o caos instala-se! 
Ora, diz a dita recomendação que só a partir dos 12 anos de idade se pode ir aos toiros, estão preocupados com o “bem-estar físico e mental das crianças” envolvidas em treinos e espectáculos ligados à tauromaquia, bem como com o “bem- estar mental e emocional” daquelas que, enquanto espectadoras, “estão expostas à violência das touradas”. Veja-se!! Note-se tamanha barbaridade em tal recomendação! Ao que certamente os defensores desta medida retorquem “Tourada é barbaridade!”, já lhes adivinho os argumentos de tão diversificados que são. Enfim, dá Deus a uns a capacidade de se emocionar com arte e a outros nem tanto. 
O melhor vem da comunicação social que com notícias como esta não perdem tempo. É logo entrevistas, depoimentos e coisas mais. Como eles adoram pôr álcool na ferida!! Li por aí umas coisas que umas Doutoras, umas senhoras com o canudo em psicologia cujo mérito não lhes tiro, afirmaram. 
Dizem que integrar actividades tauromáquicas na infância e adolescência pode levar as crianças a apreender a noção de que “a violência é uma ferramenta para lidar com a vida” e torná-las mais insensíveis ao sofrimento; e mais: dizem que ir aos toiros causa “medo” e se sentirem “muito medo” e persistirem nas práticas, tal pode levar “precocemente a perturbações e rituais obsessivo-compulsivos,comuns em profissões de risco”. 
Eu só tenho pena que as senhoras donas não possam desfrutar, emocionar-se, arrepiar-se, suspirar, sonhar, sorrir, com uma corrida de toiros. “Coitadas” talvez sejam pessoas revoltadas por nunca terem ido aos toiros! 
Mas a suas excelências, caras Doutoras e outros títulos que tenham, vos digo: fui aos toiros a primeira vez com 15 anos e, apesar de ser tradição enraizada na minha família, não fui porque me levaram, fui porque pedi para ir, fui porque quis conhecer, quis saber do que se tratava, quis “analisar” para poder emitir o meu juízo de gosto e valor. E não é que, para vosso espanto, não saí de lá traumatizada nem com um transtorno com um nome pomposo?! Saí de lá a adorar a festa dos toiros! Saí de lá a querer saber mais, a querer conhecer mais ainda, a querer conhecer a tradição e a cultura do meu país. Então e serei eu uma excepção à regra? Não!! Aquilo que vocês afirmam é que é uma excepção! E depois baseiam-se em documentos e estudos feitos para dar mais credibilidade às afirmações. Mas nós, aficionados, não temos estudos aos quais recorremos para dar mais valor àquilo em que acreditamos e sabem porquê? Porque simplesmente é algo que se sente e não precisa de estudos que o demonstrem. 
Há sorrisos espalhados em rostos de crianças pelas praças do mundo! Vão proibi-las de sonhar e ser felizes? Afinal os insensíveis não somos nós, deixe-me que vos diga. 
A mim, a minha afición, não me “presentou” com nenhuma perturbação, não apelou à violência e não me conferiu características de pessoa insensível. Muito pelo contrário, a tauromaquia ajudou-me a crescer, ajudou-me a ser quem sou! Arrisco-me a dizer que me deu lições de vida. Não, não aprendi que “a violência é uma ferramenta para lidar com a vida”! Reza a “lenda” que toureiro e toiro representam o bem e o mal, respectivamente. Ora, tratando o mal como deve ser tratado, com respeito e acima de tudo com dignidade, o bem, na maioria das vezes, prevalecerá! Aprendi que se lidar com as advertências da vida com maestria, sapiência, garra, emoção, alguma ilusão e técnica conseguirei, geralmente, ultrapassar os obstáculos da vida e triunfarei. Umas vezes terei direito a rabo e orelhas (ou voltas ao ruedo), outras vezes apenas uns aplausos e uma ida ao centro. E ainda vos conto mais, a festa foi quase o meu “porto de abrigo”. Foi a ver vídeos dos meus toureiros, dos meus ídolos, que muitas vezes limpei as lágrimas de alguma desilusão ou “faena” que correu menos bem. Foi a ir aos toiros que sorri depois de fases menos boas da “carreira” (que todos temos fases assim). Foi a tertuliar que esqueci por momentos alguns acontecimentos que teimam em não sair da memória. 
E para terminar, venha lá quem vier, digam o que disserem: É com a tauromaquia na minha 
vida que sou feliz!
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