Campo Pequeno - Era para ser doce – acabou agridoce. - Carregar a sorte E

sábado, 7 de julho de 2018

Campo Pequeno - Era para ser doce – acabou agridoce.

A corrida da passada quinta-feira no Campo Pequeno tinha ingredientes para ser a corrida da temporada lisboeta mas não foi, muito pelo contrário.


Em noite de homenagem a D. Curro Romero, toureram João Telles Jr, José António Morante de la Puebla e José Mari Manzanares. Toiros de David Ribeiro Telles para a lide a cavalo e Paulo Caetano para a lide a pé.

O problema da noite: a matéria-prima. Os toiros saíram, no general, com escasso peso e trapio. Pouco digno de uma praça de primeira, muito pouco digno de saírem no Campo Pequeno – a primeira praça do país. Perante isto o público protestou e bem! Consideraram uma falta de respeito para com a aficion que paga o bilhete ser apresentado um curro assim. – um dia isto teria de acontecer. E a culpa é de quem? Essa, como costume, morrerá solteira.
Quanto ao conteúdo artístico há pouco a dizer.
João Telles Jr andou irregular no início da lide do primeiro, sentiu-se pouco o jovem cavaleiro. Toiro e toureiro vieram a mais com o decorrer da função mas sem “rebentar”. Com o segundo as coisas foram um bocadinho diferentes, mas Telles Jr andou mais acertado e ajustado com o oponente, deixou uma série de curtos aplaudidas.
Pegaram os forcados do Aposento da Chamusca por intermédio de João Rui Salgueiro que efectivou à primeira tentativa, e de Francisco Andrade que se fechou à quarta com ajudas carregadas.



Morante de la Puebla, recebeu à verónica o primeiro do seu lote e ainda fez suspirar alguns daqueles que foram a Lisboa para o ver. Mas de pinceladas se fez a faena. Pinceladas de arte, sem dúvida. Nota grande para Pedro Noronha que tomou a alternativa bandarilhando de forma exemplar. Uma alternativa bonita! Enhorabuena, Noronha! Com o segundo, Morante andou esforçado deixando o seu perfume, mas sem encher as medidas. – sem ovos não se fazem omeletas.



De José Mari Manzanares, fica o esforço e a dedicação na lide do primeiro. Tentou ligar passes e imprimir alguma emoção à faena mas com pouco sucesso. O segundo, o quinto da noite, pequeno, sem peso, trapio e apresentação, foi vaiado como nunca antes vi. Assobios desde a sua saída e o matador abreviou a função.
A empresa fez sair o sobrero para tentar remediar o que já não tinha remédio. Morante deu o ar da sua graça mas abreviou.
Foi agridoce, mas mais agri – falta de respeito para com o público que quase encheu o campo pequeno, exemplares nada dignos de saírem em Lisboa - do que doce – antes de começar, tinha tudo para ser uma noite muito doce, bancadas cheias, muita vontade de ver toiros e de desfrutar de uma noite que se esperava bonita de emoções fortes.

Lisa Valadares Silva
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